A Oposição Sindical no Exílio

Claudio Nascimento

R$ 35,00

A publicação do resultado da pesquisa realizada por Claudio Nascimento sobre o GAOS, o Grupo de Apoio à Oposição Sindical no exílio, é uma importante contribuição à memória das lutas e das organizações dos trabalhadores brasileiros, que permanece desconhecida no campo dos estudos do trabalho no Brasil.
O conjunto de informações reunidas por Claudio ao longo de muitos anos de investigação lançam pela primeira vez uma luz sobre essa iniciativa de organização forjada pelos trabalhadores brasileiros que estavam banidos ou exilados na Europa após a instauração da ditadura civil-militar em 1964.
Do final de 1960 até o início de 1980, a classe trabalhadora brasileira cresceu quantitativamente com a industrialização e a acumulação aceleradas. No chão da fábrica, vivenciaram o despotismo inerente à organização capitalista do trabalho, que fazia dos locais de trabalho um inferno. Como se não bastasse, fora das empresas a repressão aberta dos agentes estatais se encarregava de fechar o cerco, encarando qualquer iniciativa associativista ou de organização sindical era encarada como questão de segurança nacional, resultando geralmente em demissão, prisão, tortura e assassinato.
Nesse cenário, certamente fizeram muita falta os exilados, pois se tratava de trabalhadores e lideranças operárias e camponesas cuja qualidade pode ser percebida nas intervenções do Encontro
realizado na Bélgica em 1979, momento em que, no Brasil, a “rebeldia do trabalho” escancarou a
brutalidade do regime e acelerou o processo de abertura ainda que sob a tutela militar.
No exílio, os trabalhadores constituíram um Grupo de Apoio para tentar contribuir, por um lado, com a denúncia das condições de trabalho e de vida sob a ditadura e, por outro lado, para estabelecer redes de sustentação às lutas que se desenrolavam no Brasil e, em especial, às oposições sindicais que enfrentavam o patronato e os pelegos instalados nos sindicatos.
O apoio que o GAOS recebeu da CFDT, a Confederação Francesa Democrática do Trabalho, materializa o espírito da expressão “solidariedade de classe”, que desde a primeira Associação Internacional dos Trabalhadores já se fazia para além das fronteiras nacionais, e que culminou nas realizações da Comuna de Paris em 1871.
Cem anos depois, os franceses (e também os alemães, os italianos, espanhóis etc.) demonstraram praticamente o sentido da solidariedade de classe. Ao recuperar as ações realizadas pelos trabalhadores exilados, Claudio Nascimento nos oferece uma possibilidade ímpar para religar acontecimentos que marcaram o processo de redemocratização do país, como a emergência das comissões de fábrica, do novo sindicalismo, da Central Única dos Trabalhadores e do Partido dos Trabalhadores.
O Encontro do GAOS em Bruxelas em 1979 fornece, especialmente, um conjunto de depoimentos que abrangem a formação da classe trabalhadora no Brasil e sua trajetória até o golpe; relatos sobre as condições de trabalho e de vida enfrentados pelos trabalhadores após o golpe; as formas de organização e de luta que os trabalhadores foram inventando nas condições mais adversas; os princípios políticos de um sindicalismo autônomo, de massa e de base defendido pela Oposição Sindical; discute um momento crucial da construção do novo sindicalismo no ABCD, com a greve de 1979; e também estratégias para o retorno ao Brasil com a efetivação da abertura do regime.

MAURÍCIO SARDÁ DE FARIA | UFRPE

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