De-cifrando o Fundo de Amparo ao Trabalhador: trabalho e qualificação profissional

Édi Benini

R$ 30,00

O debate sobre os Fundos Públicos sempre foi tema instigante para os marxistas. No século XX, principalmente a partir da crise de 1929 e tendo como base a teoria de Keynes, inúmeras foram as soluções anti-cíclicas encontradas por presidentes e governadores para utilizá-los tendo em vista o “aquecimento” da economia, o “desenvolvimento do país”, dentre outras ideologias da época. Para não ir mais longe, no Brasil de Vargas, os fundos públicos do Estado foram drenados para a industrialização do país, isto é, para a criação das condições gerais de produção e reprodução da indústria nacional e estatal. Surgiram aqui inúmeras ações no campo da educação, qualificação, desoneração de importações de máquinas, subsídios, etc. tendo em vista a estruturação da indústria nacional.
“De-cifrando o Fundo de Amparo ao Trabalhador: trabalho e qualificação profissional” é a versão atualizada da tese de doutorado do amigo Édi Benini, que faz uma análise ao mesmo tempo minuciosa e totalizante dos cifrões do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT). Nos anos 1970, na nossa mais ferrenha ditadura civil-militar, o FAT foi criado para drenar recursos ao BNDES tendo em vista a reprodução do grande capital, cada vez mais financeirizado.
O livro passeia no debate teórico do trabalho alienado, caracteriza o fordismo com precisão, nos mostra a crise do capitalismo, sempre tendo em vista a espinha dorsal da sua tese: a relação trabalho-educação no ornitorrinco capitalismo brasileiro e a forma como o FAT aplica seus recursos.
Benini analisa com cuidado – digno dos pesquisadores pacientes e determinados – o processo decisório, as cifras e as disputas em torno dos projetos de qualificação para a classe trabalhadora no Brasil. É possível observar ali a) os meandros da política no lulismo e no governo de Fernando Henrique Cardoso, b) os pouquíssimos projetos de qualificação da classe trabalhadora para a classe trabalhadora, tendo em vista a superação do trabalho alienado e da qualificação igualmente alienada, c) o peso dos representantes do capital e da burocracia sindical na determinação de projetos de qualificação pró-capital, d) e o rio de dinheiro extraído da exploração dos trabalhadores que vai para os fundos públicos supostamente para desenvolver economicamente o país.
Por último, mas não menos importante, destaco a ação militante do prof. Édi Benini em Tocantins, numa luta hercúlea para construir projetos de educação-qualificação para o nosso arrebentado povo brasileiro: quilombolas, sem terra, sem teto e trabalhadores desempregados. Boa Leitura!
Henrique Tahan Novaes – UNESP Marília

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