Democracia e socialismo: Carlos Nelson Coutinho em seu tempo

Victor Neves

R$ 65,00

Este livro de Victor Neves é o primeiro estudo sistemático do conjunto da obra de Carlos Nelson Coutinho. Como o mostra Neves, Carlos Nelson nunca foi um intelectual de gabinete, ou um “marxista acadêmico”: sua ação e seu pensamento são inseparáveis de um compromisso político com a causa do proletariado e com a luta pelo socialismo. Muitos intelectuais brasileiros que se reclamavam do marxismo acabaram se reconciliando com o sistema, limitando suas ambições a “melhorar” ou “humanizar” o capitalismo e/ou o neoliberalismo, com a ajuda de doses homeopáticas de “justiça social”. Como podemos ver lendo este livro, Carlos Nelson Coutinho é um personagem de outra fibra: sem ter medo de ir “contra a corrente” – título de um de seus mais belos livros – sempre foi de uma coerência e de uma integridade sem falhas.

Se eu pudesse resumir em uma frase o que foi o papel de CNC no campo do marxismo brasileiro, diria o seguinte: ele foi não só um dos primeiros a estudar Gramsci no Brasil – bem antes da publicação, sob sua direção, das Obras Completas em português –, mas também alguém capaz de repensar, em termos gramscianos, a política brasileira. Mais importante ainda: Carlos Nelson foi o inventor – no sentido alquímico da palavra – do que se poderia chamar um marxismo democrático-socialista brasileiro, de inspiração gramsciana.

Não é que seu pensamento não tenha mudado, buscando integrar novos desafios, repensando questões antigas e reformulando a estratégia do combate: afinal, o que é o marxismo, senão um pensamento dialético/revolucionário em movimento constante? A mudança vai no sentido de uma radicalização crescente, que o leva do PCB ao PT e finalmente ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Victor Neves analisa cuidadosamente em seu livro alguns dos principais momentos deste processo intelectual e político.

Poder-se-ia resumir esta radicalização, que se dá sempre dentro de uma matriz gramsciana, em uma frase: no fim dos anos 70, CNC insistia que o socialismo não pode existir sem democracia. No fim dos anos 1990, ele acrescenta: “não há socialismo sem democracia, assim como tampouco há democracia sem socialismo. Eu não hesitaria em dizer: o valor universal da democracia só se realizará plenamente no socialismo”.

O trabalho de Victor Neves é um precioso instrumento para melhor conhecer a obra deste grande pensador e lutador marxista que foi Carlos Nelson Coutinho.

MICHAEL LÖWY

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