Introdução à Formação Econômica do Brasil: herança colonial, industrialização dependente e reversão neocolonial

Fábio Campos (org)
Carlos Cordovano Vieira
Paulo Alves de Lima Filho
Plinio Sampaio Jr

R$ 25,00

Em tempos de barbárie, provocada pela crise estrutural do capital, se faz uma urgência teórica: o estudo do passado a partir da longa duração, se apropriando da raiz dos principais problemas, de modo a extrair sínteses estruturais capazes de armar novamente o pensamento social para a ação. É justamente esta a motivação desse livro, ou seja, recolocar os dilemas da formação econômica do Brasil em um contexto de miséria do capitalismo, cuja crise civilizacional brasileira na atualidade constitui um capítulo da crise mundial. Sem ilusões com a razão burguesa que nos devora neste limiar de século, o tempo histórico clama pela materialização de um pensamento radical que potencialize a classe trabalhadora rumo à revolução.
Seguindo esse enquadramento, o livro resgata os termos da discussão da formação econômica brasileira que foram congelados a partir do Golpe de 1964. Perseguindo a soberania, a igualdade social e a democracia, o pensamento social progressista envertebrava-se naquela quadra por um diagnóstico profundo do passado com vistas a um projeto social de mudanças estruturais. O terreno histórico onde a inteligência brasileira deitava raízes era o da difícil conciliação com o avanço da dependência externa e do subdesenvolvimento. Na verdade, era um processo de antagonismo aberto entre as forças que empunhavam a revolução brasileira e aquelas que militavam a contrarrevolução. As principais teses sobre a questão nacional no Brasil eram sobre os desafios da sua formação e dos caminhos para a revolução brasileira. Eram, portanto, grandes sínteses sobre o país, originárias de intelectuais que viviam a práxis revolucionária. Assumiam como norte a reconstrução da história desde a colônia, cujos objetivos transcendiam os parâmetros escolásticos, porque tinham a pretensão de delimitar, com extremo rigor analítico, o sentido da formação econômica do Brasil.
O Golpe de 1964 significou a interdição deste processo em que, além das reformas reivindicadas pela questão agrária, o controle ao capital internacional, questão tributária, habitação e educação populares, reformas eleitoral e cultural, cristalizou-se um pensamento social brasileiro progressista e armado para enfrentar a questão nacional a partir da superação das nossas mazelas, mirando a civilização do país. A tentativa de conciliar soberania, igualdade e democracia dentro dos limites capitalistas, converteu-se no seu contrário: as trevas de uma contrarrevolução que reafirmaria o capitalismo dependente, antipopular e antidemocrático. Abriu-se então um ciclo de reversão estrutural na formação econômica brasileira que só se tornou claramente perceptível com a profunda crise econômica e social nos anos 1980 e o enquadramento às novas dinâmicas imperialistas que se processaram pelo domínio do capital financeiro até nossos dias.
Sustentada por um intenso processo de reversão neocolonial, cuja reprimarização da economia, desindustrialização, precarização do trabalho, violência, depredação ambiental, militarização são características que se compõem com nosso passado e que sempre se renovam, congelando a história, a crise atual brasileira exacerba não apenas as desventuras de nossa formação, mas também representa a crise da Nova República como traço de uma superestrutura em rápida transformação. Dentro da crise estrutural do capital em que a raça humana está em risco, nossa inserção global, oferece o que há de mais avançado em termos de barbárie, a vanguarda, por assim dizer, de uma herança colonial.
Com esta coletânea de trabalhos no campo dos estudos da formação econômica do Brasil, esperamos contribuir para o avanço do debate numa perspectiva crítica radical. Quem sabe, desse modo, podemos estimular os jovens e o público em geral a conhecer e revisitar nossos dilemas clássicos, tais como o da dependência externa e da segregação social, desde a colônia até à atualidade, em nome da revolução brasileira que possa superá-los. Boa leitura!

Fábio Campos
(organizador)
IE-UNICAMP

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