Mundo do trabalho associado e embriões de educação para além do capital

Henrique Tahan Novaes e colaboradores

R$ 35,00

Entramos na Era da Barbárie. No plano mundial, há roubo de terras numa escala estonteante, privatizações, globalização da fome e do desemprego, com o capital pisoteando nos trabalhadores. No Brasil, depois de um tímido social-liberalismo que gerou emprego e deu alguns pequenos direitos aos “de baixo”, a já frágil e restrita democracia foi suspensa por um presidente golpista que está liquidando o país. Getúlio Vargas construiu 100 anos em 20, Juscelino Kubitschek disse que fez 50 anos em 5, Temer destrói 100 anos em 2.
As “ondas” de ditaduras, retiradas de direitos, fechamento de fábricas, mercantilização da vida, terceirizações, avanço do agronegócio e desindustrialização dos últimos 40 anos jogaram o povo latino-americano na “lona”. Contraditoriamente, como fruto da resistência de uma parcela dos trabalhadores, surgiram e vem surgindo no interior do modo de produção capitalista, ainda de forma tímida e pouco significativa em termos quantitativos, experiências de trabalho associado onde as trabalhadores e trabalhadores vivenciam novas formas de decidir, de produzir, de usar o excedente e os meios de produção.
O Mundo do Trabalho Associado, com sua riqueza e miséria bem como suas contradições, avanços e limites, é retratado neste livro através da observação das fábricas recuperadas no Brasil e na Argentina, das experiências de cooperação e de cooperativismo do Movimento Sem Terra, das experiências dos mutirões e cooperativas de trabalho dos sem teto. Acreditamos que, em alguma medida, elas sinalizam a possibilidade e a urgente necessidade de alteração do sentido do trabalho. São formas de trabalho que embrionariamente alteram o trabalho e possuem potencial emancipatório, mas que também reproduzem algum tipo de degradação do trabalho e subordinação indireta ao capital.
No mesmo contexto de avanço do Mundo do Trabalho Associado, sugiram na América Latina diversas experiências de Educação para além do capital. Nas próprias fábricas recuperadas, além da autoeducação no trabalho, foram criadas escolas que alteram o conteúdo e a forma escolar. No contexto das lutas no contexto das lutas por soberania e segurança alimentar, e contra a produção destrutiva, observamos a criação das escolas de agroecologia do Movimento Sem Terra. Elas fazem uma crítica ao uso e posse da terra, à chamada “revolução verde” e ao mesmo tempo teorizam e praticam a agroecologia. As escolas de agroecologia também fazem com que os alunos vivenciem novas formas de organização da vida escolar e do assentamento, através de núcleos, comissões, assembleias que questionam a tecnocracia escolar-estatal e praticam a autogestão escolar.
Fruto do meu trabalho de pesquisa com amigos que militam ou estudam estes temas, este livro aborda este novo mundo que persiste em nascer, frente ao velho mundo do capital que insiste em pisotear nos trabalhadores, mercantilizar a vida, destruir as condições de existência na terra, desempregar-subempregar e se apropriar de tudo que ainda é público. Boa leitura!
Henrique Tahan Novaes – UNESP Marília

Livro Completo em PDF

Comments are closed.