Pedagogia do Movimento Sem Terra e Relações de Gênero

Djacira Maria de Oliveira Araujo

R$ 35,00

Abrir um livro é sempre um presente carregado de surpresas. Quem o faz, tem uma intencionalidade, muitas vezes misturada com a curiosidade causada pelo título, o interesse pelo tema ou o conhecimento sobre os autores e as autoras. Pouco a pouco essa intencionalidade vai sendo dialogada com a palavra escrita, expressão – força de quem a registrou.

Nossa autora, Djacira Araujo faz da palavra, facão afiado de porte, beleza e uso nas peleias da práxis, organicamente vinculada a um projeto social e político de emancipação humana. Nossa autora entende muito bem do tema que está manejando, pois seu conhecimento profundo da prática política lhe confere um terreno fértil para a pesquisa, feita com rigor e amor, tão necessários na trincheira intelectual.

Seu livro trata da Pedagogia do MST como portadora de potencialidades educativas e metodológicas da construção de novas relações sociais e de gênero. Para tal, ela situa o leitor e a leitora na complexidade da formação das estruturas de poder que marcam nossa trajetória, com destaque à relação articulada que dá base de sustentação às manifestações patriarcais, machistas e racistas existentes na sociedade atual.

O sujeito social da Pedagogia do MST é o próprio movimento e seus sujeitos. Para a autora, são esses sujeitos, historicamente determinados e socialmente construídos, que são capazes de forjar o seu destino. Mas isso ocorre em meio a uma conflituosidade que se dá no leito das lutas de classes e na forma como se articulam as questões de dominação com a temática de opressão de gênero e raça/etnia.

A própria Pedagogia do MST é desenvolvida no fogo dessas contradições, sem idealismos ou projeções que não cabem na realidade. Por isso Djacira Araujo situa sua análise no mundo real, apontando como tais questões estão implicadas num campo, perpetuador da propriedade privada e do latifúndio.

O facão da autora desvela qualquer ilusão com uma educação que paira descomprometida no ar. Para ela, a educação é instrumento da ação política, na qual os processos pedagógicos precisam estar organizados para superar as desigualdades e as relações de opressão de gênero.

A nossa autora sabe o quanto a linguagem é poder, e justamente por isso faz questão de demarcar posição nessa batalha ao utilizar a denominação de trabalhadoras e trabalhadores, educadoras e educadores, educandas e educandos. Nunca vamos nos cansar de ler tanta beleza. Não se canse de escrever lutando, querida Djacira Araujo.

Kelli Mafort

Djacira Maria de Oliveira Araujo, autora deste livro, é uma brava mulher guerreira, oriunda das lutas do campo, pertencente e dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). Mulher sensível, dedicada, disciplinada, engajada, culta. Por muitos anos contribuiu com a Educação brasileira, dirigindo a Escola Nacional Florestan Fernandes.

O presente livro é fruto de um trabalho árduo de pesquisa realizado no Programa de Pós-Graduação da FACED/UFBA que culminou, em 2011, na defesa pública da dissertação intitulada “A pedagogia do Movimento Sem Terra e relações de gênero: incidências, contradições e perspectivas em movimento”. Trata-se, portanto, de um trabalho cientifico, em tempos de combate ferrenho contra a ciência.

Sua dissertação, agora convertida em livro, expõe de maneira clara e objetiva uma das temáticas centrais, na luta pela emancipação da classe trabalhadora, do jugo do capital, que é a problemática das mulheres. Não se trata de um estudo, especifico de gênero, mas, sim, de um compromisso de classe que luta pela transição para outro modo de vida, o socialista, luta pela socialização dos grandes meios de produção, luta pela revolução proletária, que exproprie as famílias burguesas e destrua o Estado burguês.

Celi Nelza Zulke Taffarel (FACED/UFBA)

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