Reatando um fio interrompido: a relação universidade-movimentos sociais na América Latina

Henrique Tahan Novaes

R$ 40,00

Florestan Fernandes disse, certa vez, que “os universitários (professores ou estudantes) e os intelectuais de formação universitária (os chamados ‘antigos alunos’) podem percorrer qualquer dos três caminhos que se abrem como ‘possibilidades históricas’ diante deles: o da estagnação relativa; o do desenvolvimento acelerado; ou o da revolução social”. Estávamos, então, sob uma ditatura terrível que, por si só, já entabulava afinidades entre democracia e revolução. Restabelecida a “normalidade democrática” do país, conferimos a ruptura da afinidade: a instituição superior burguesa não seguiria o caminho da revolução social. Em vez disso, seus discípulos no Brasil e na América Latina, muitos dos quais opositores ferrenhos do regime militar, optaram pela reforma universitária, uma mescla a-crítica de estagnação social e desenvolvimento tecnológico.
Pois, na contramão desta tendência neo-apologeta do chamado neodesenvolvimentismo, Henrique T. Novaes compõe um estudo de abordagem rara na academia. Sobretudo porque, ao negar a “científica” neutralidade axiológica, assume comprometimento ideológico com a melhor tradição da crítica marxista no Brasil, na América Latina, na Europa.

 

 

Reatando um fio interrompido: a relação universidade-movimentos sociais na América Latina” se aproxima da inspiração do movimento reformista de Córdoba (1918) ao olhar para atuação de pesquisadores(as)-extensionistas nas fábricas recuperadas, na agroecologia e na habitação popular. Ao mesmo tempo, o livro de Henrique Tahan Novaes se distancia da extensão universitária assistencialista e autoritária que impõe às classes populares uma forma de compreender o mundo e de desenvolver ciência e tecnologia. Este livro é parte do esforço do autor de encontrar, em meio aos escombros, as possibilidades de construção de alternativas tecnológicas para uma possível e desejável sociedade para além do capital.
LAIS FRAGA | FCA – UNICAMP

 

Henrique Tahan Novaes propone en este libro el rescate de la necesaria lucha política para la transformación universitaria sin la cual es impensable el desarrollo autónomo de una ciencia que aborde los problemas populares desde una perspectiva que no termine tributando al capital. Por eso, analiza con detalle y profundidad tres casos en que, en Brasil y Argentina, se intentó desarrollar una ciencia crítica y una docencia, investigación y extensión militantes y articuladas con el movimiento social. Nunca es tarde para reanudar, como titula el autor su libro, ese hilo interrumpido.
ANDRÉS RUGGERI | UNIVERSIDAD DE BUENOS AIRES

 

O intelectual revolucionário ainda não obteve, no capitalismo, a sua plena cidadania. Muito menos nos centros da vanguarda neocolonial, como é o caso das nações do Novo Mundo, paridas na moderníssima escravidão exclusiva do capital. Por sua vez, os movimentos sociais transfiguram o panorama das lutas de classes nessas pátrias das revoluções burguesas conservadoras. O eco de suas lutas mal consegue romper as fronteiras da academia, bem guardadas pela contrarrevolução de 1964 que ainda não findou, agora em sua fase final. Enquanto a revolução democrática não transforma nosso destino, nos esforçamos por desvendar os seus passos na história. Muito bem vinda a 2a edição do livro de Henrique Tahan Novaes!
PAULO ALVES DE LIMA FILHO | IBEC

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